Diário do Davi 01 – gravidez
- Pedim Guimarães
- 12 de mar. de 2021
- 4 min de leitura

Salve, pessoal, tudo bem?
Bom, há uns dias, uma amiga minha me falou que a inspirei a escrever um blog, todavia diferente do meu, ela se propõe a compartilhar as experiências de vida dela, para que sejam repassadas aos seus descendentes. Aí, anteontem, 11/03/2021, a companheira aqui me disse: “tu já pensou em escrever tua jornada de pai? As tirinhas possuem uma pegada mais fofa, engraçada, no blog você se aprofunda em outros sentimentos.” Pouco tempo depois me lembrei da minha amiga, eu a inspirei, agora me inspiro nela para iniciar essa saga, talvez maior experiência tive na vida, um jogo em que não há macete, dica para ter mais life, tampouco se pode diminuir a dificuldade – sempre tá foda. Pois bem, vamos lá, com vocês, o “diário do Davi”!
Engana-se quem pensa que planejamos a gravidez, digamos que houve um erro de cálculo hehe, bom, quando percebemos já estava com algumas semanas, então começam os preparativos, pensar nos nomes se for menino ou menina, onde morar, onde será o parto, qual modalidade de parto, enfim os detalhes físicos, questões de logística. Pouco cuidamos de nos preocuparmos com o que se passava em nossas cabeças, as ansiedades, as angústias, os medos; ou seja, cada um de nós dois seguiu por um caminho solitário em que estávamos juntos, esquisito né?
A questão paternal sempre mexeu muito comigo, perdi meu pai muito cedo, eu tinha apenas dez anos. Apesar da curta convivência, sempre admirei meu pai. Confesso que durante muito tempo me espelhei no modelo que eu tinha do meu pai para construir minha personalidade. Com os anos e terapia entendi que meu pai era um ser humano, com virtudes e falhas, e eu sou outro ser humano. Bom, deixei de querer ser meu pai, mas sempre quis que meu herdeiro tivesse uma admiração tão grande como eu tinha pelo meu pai.
Não sei onde começou isso, creio que desenvolvi a síndrome de impostor, nunca ouviu falar sobre isso? Vou resumir, peguei a definição deste site aqui:
“A síndrome do impostor, também chamado de pessimismo defensivo, é uma desordem psicológica que, apesar de não ser classificada como doença mental, é bastante estudada. Os sintomas manifestados costumam ser os mesmos sintomas que também são encontrados em outros transtornos como depressão, ansiedade e baixa autoestima, por exemplo.”
Neste aqui temos isso:
“Se você sente constantemente que o que você faz não é bom o suficiente, você pode ter a chamada síndrome do impostor. É um termo psicológico que descreve um padrão de comportamento no qual você duvida de suas realizações e tem um medo persistente de ser exposto como uma fraude, como incompetente.”
E sabe o que sempre senti quando soube da gravidez? Misto de felicidade e medo. Por que este receio? Temia não ter sucesso como pai, de não ser visto pelo meu sucessor como aquela figura bacana, tal como o que eu sinto quando penso no meu pai. Desenvolvi um pavor de um futuro longínquo, afinal nem sabíamos ainda se seria menino ou menina, meu pensamento já estava lá no julgamento que meu filho teria de mim. Meu medo de eu fracassar como pai, de eu ser apenas um personagem sem graça na vida do meu filho.
E como todo bom homem faz? Foge dos seus problemas. Passei a procurar formas de distração para ter o mínimo de tempo para pensar em mim, consequentemente meus problemas, bom plano, né? Daí embarquei num vício por Netflix. Afinal a Nicolli estava sempre muito cansada, fora que as primeiras semanas foram bem complicadas para ela. Na época a gente trabalhava em Sobral, uns 220 km de Fortaleza, sendo que nossas jornadas de trabalho não se encontravam, e eu consegui minha transferência antes dela, olha, essa vinda dela para Fortaleza foi muito difícil, bom, passou, passou, segue o jogo. Houve muitos desencontros entre nós dois.
E os meses passaram, conseguimos nos estabelecer profissionalmente na capital, ufa. E, como disse, a gente conversava sobre muitos assuntos, temos uma sintonia ótima, todavia a gente nunca chegou para o outro e questionou: “mas tu tá bem mesmo? O que tu tá sentindo? O que te assusta? O que tira seu sono?”. E por mais que eu parecesse inseguro, ela nunca deixou a peteca cair, sempre me enviava fotos da barriga, pois é, a gente criou um personagem desde a barriga, no começo era “a barriga”, até ser batizado pela mãe de Davi (em hebraico significa "o amado", "querido", "predileto"), Davi foi um grande rei, além disso, se trocar as silabas de posição vira VIDA. A barriga já tinha gosto musical e gastronômico.


Um dia, no trabalho, eu desenhei algo besta e enviei pra Nicolli, depois ela me pediu para fazer um bebê para gente usar em vindouras tirinhas. Esbocei algo, copiei algo, admito, fiz um ajuste ali, outro acolá, nasceu um personagem antes mesmo da vida real. Eu nunca achei bem feito, porém um pessoal gostou do que fiz, me motivei para estudar desenho, posteriormente lidar com o Illustrator – pretendo a aprender, afinal se eu aprendi a mexer no Photoshop para ofender um colega, por que não aprender para melhorar as tirinhas? Planos. Acho que meu traço está melhor devido aos elogios que me fizeram, por isso transmita positividade, seja um sol para si mesmo e para os outros. A Nicolli gosta tanto do personagem que ela fez um book com o boneco, ainda fiz uma tirinha interativa em que ela conversa com ele na barriga, diz que vão para uma sessão de fotos, aí ele se arruma, bota cartola e gravata borboleta. Outro momento legal foi quando a gente foi fazer o exame para saber o sexo, a médica disse que na hora ele cruzou as pernas, aí eu fiz uma tirinha em que ele fala que está se preparando com meditação para chegar ao mundo. E a gente anotava as situações, aí eu bolava algo e publicava, gostava. O que houve? Sabe o lance do impostor? Pois é. Se você sentiu a falta das tirinhas eis a explicação. Um dos motivos, há outros, até problemas que tive que resolver, enfim...


E assim, os meses passaram, e... aí eu deixo para outro texto.
Um abraço caloroso,
Paz
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