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Diário do Davi 03 – gravidez

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 1 de abr. de 2021
  • 5 min de leitura

Diário do Davi 03 – gravidez


Salve, pessoal, tudo bem?


Vamos lá, da semana:


Davi mexe no celular, sim, me julgue, e ele navega em tanto local, claro, sob supervisão, acabou que descobriu Power Rangers, sim, aquele da primeira temporada, Jason, Zack, Billy, Trini e Kimberly. E ele pira mesmo, canta a música tema do seriado, é empolgante. Eu vejo com ele vez por outra, e justo quando eu tava com ele, apareceu uma cena massa: a troca dos zords, o Megazord original dá espaço ao Thunder Megazord! Caralho, depois de uns vinte anos revi essa cena com o Davi, e eu falando o que ia acontecer, até pra ele entender, ele vibrando, como os jovens falam “no hype”.

- Olha, Davi, vai se transformar no dragão

- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!! – foi muito massa.

Bom, para quem reviver essa euforia, só clicar aqui. Tu é doido, quando a música trua e o bichão pega a espada para sentar o cacete no monstro, eu pulei aqui.


Se você tá com preguiça de ver o vídeo


Esse figura é o Megazord original

Esse é o Thunder Megazord

Vamos ao texto dessa semana:


Gravidez


Não, não falei sobre gravidez, escrevi sobre exames e cuidados, agora vamos para vivência com uma mulher grávida, senhoras e senhoras, com vocês, a mãe do Davi, Nicolli.


Ela me aguenta há uns anos, o relacionamento começou em 2009, façam as contas. Éramos amigos virtuais, falávamos desde 2006, ano em que me formei na faculdade, tanto que a dificuldade na monografia constou em nossas conversas, milhares de letras digitadas em nossos computadores, era minha confidente. Apenas nos vimos em 2009, eu tinha uma namorada, só após o término que Nicolli aceitou me ver. E cá ficamos até que em 2016, pá, “tô grávida”. Eu lhes confessei que fiquei zonzo na época, a Nicolli em momento algum se mostrou fraca. Ela é daquelas pessoas cheias de ternura que leva os outros a pensarem que são fracas, ledo engano, são as mais resistentes, são pessoas que lutam sem jamais perder a ternura, como naquele adágio em espanhol “hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” frase atribuída a Che Guevara, é comum citarem como referência o livro Mi Amigo El Che, de Ricardo Rojo, todavia a passagem não aparece nesta obra e em nenhum dos diversos livros escritos por Che Guevara.


E ela sempre esteve ali, firme e forte, bom, comento sobre a força moral, porque vigor físico lhe faltou, não tinha mais a mesma energia para atividades físicas ou simplesmente executar alguma tarefa doméstica, também pudera, a coitada estava trabalhando no interior, desempenhava suas funções numa rotina de três dias trabalhados por nove folgados. Além disso a gente tinha um serviço voluntário numa organização sem fins lucrativos, nosso mandato terminaria perto do nascimento do Davi. Ela, portanto, vivia exausta. A gente assistiu a muitas séries e filmes juntos, no entanto, na época da gravidez, mal eu pressionava o play, momentos após, estava dormindo. E uma tirinha que fiz na época foi a do Davi usando poderes místicos consegue adormecer a mãe dele. Pus a gente assistindo Walking Dead. E o poder usado por ele faz referência a um anime que me marcou muito: Naruto, quem sabe posso até escrever sobre isso no futuro. Alguns personagens do desenho possuem poderes óticos, que, ao serem utilizados, mudam a constituição do olho, passam a ter alguns desenhos, tal como ocorre na tirinha abaixo. Imagem que algo como se o Davi estivesse em outro mundo.



Nicolli ainda tentou praticar exercícios durante a gravidez. Nesse período praticávamos Tai Chi Chuan, eu, ela e minha mãe, todos alunos do Grão Mestre Pong, que ensina os estilos Yang e Chen. Na época treinávamos o Yang, o mais suave e mais famoso. Em uma das conversas entre mim e ela durante um treino de Tai Chi, a gente imaginou que o Davi estaria na barriga também praticando e sentindo os benefícios da prática. Eis a tirinha:



Imaginar o Davi na barriga sempre foi muito divertido. Engraçado que uma vez, durante um percurso de carro, estava tocando alguma música pesada - falo assim porque para quem não é roqueiro, qualquer hard rock pode soar como uma orquestra de urros e bateria acelerada – acho que a Nicolli pediu para mudar a música, que colocasse alguma canção mais suave para acalmar o Davi, assim que a gente mudou a barriga começou a tremer em protesto e ela enjoou. Bom, a tirinha é:



Versão antiga

Outra vez a gente imaginou que o Davi ajudava a Nicolli a estudar, inclusive ela atribui a nota máxima que tirou numa prova ao bebê:



E a gente já ficou criando uma personalidade para ele, um menino bem exigente, que quando não é atendido se mostra indignado. Olha:




Nicolli e a mãe dela estavam num restaurante, e isso acima ocorreu

E o que tem a ver com a força dela? Ela via que eu estava meio perdido, para me trazer um pouco de volta à realidade, ela se empolgava com essas histórias, tanto ela como a mãe adoram as tirinhas, por falar nisso, não desisti delas, todavia estou estudando desenho, quando estiver um pouco mais seguro eu voltarei. Também preciso aprender a mexer melhor no Adobe Illustrator, bom, vai ter, aguardem.


Mesmo sonolenta, dormindo pelos cantos e sempre faminta ela conseguia ainda me trazer para uma realidade em que um novo ser, meu filho, estaria por vir. Ah, tenham cuidado com mulheres grávidas, sobretudo por se tratar de seres que estão com hormônios em doses elevadíssimas, tratem-nas muito bem sempre, não apenas por medo da morte, ou de terçol, mas por consideração mesmo. Evitem pronunciar frases do tipo: quando fez foi bom, né? E suas semelhantes. A Nicolli é uma pessoa muito fofa, mas que quando explode, sai de perto; na gravidez o limite dela ficou bem menor. Uma vez a gente foi mal atendido num banco, eu pensei que ela ia bater em todo mundo. Ah, por falar em momento em que ela se impõe, oh a escolha do nome como foi:



Outra coisa massa que ela fazia, sempre me enviava foto da barriga com algum emoji nela, ou alguma frase. A gente imaginou que o Davi seria um neném descolado que iria se referir ao pai dele como cara em de vez de papai, algo semelhante ao Guile, irmão da Mafalda, aquela famosa personagem do Quino. Inventamos que ele seria chamado pela alcunha de Cara por uma vez a gente falar para ter cuidado que tinha outra pessoa ali, um cara na barriga dela.


Guile, irmão da Mafalda




Houve uma situação bem legal, a Nicolli gosta muito de foto, ela tem uma chateação por ter perdido um book quando ela era mais nova. E nessa gravidez, ela, que já é linda, estava uma grávida bem formosa. Recebia muitos elogios. Ela quis fazer um book, conseguimos um estúdio para fazer as fotos de última hora. Eu quis que fosse um momento dela e dele, Davi. Não me senti a vontade para participar. Fora que acho meio cafona (pode me julgar, tô nem aí, acho mesmo, me condene, sou desses, beijos de luz pra você). Aquelas fotos de estúdio do casal apalpando a barriga, véi, por favor. E o ensaio dela foi lindo, ela maravilhosa como sempre é. E o bacana que ela levou uma impressão do boneco das tirinhas do Davi para a sessão de fotos. E na tirinha o personagem se arruma para ocasião, o Cara se arrumou estilo grã-fino.





E assim teve muito sono dela, muita saída pra comprar comida ou pra comer mesmo. Foi duro, com direito a algumas emoções, como no dia em que a Nicolli, escorregou e caiu. Fomos logo ao hospital para verificar se estava tudo bem com ambos. A gente estava comendo tapioca numa barraquinha chamada por nós de Barraca do Seu Bostinha, a tapioca era muito boa, cujo sabor era diretamente proporcional ao aroma fecal do ambiente, confesso que valia a pena. Outra emoção foi a complicação para ela ser transferida do interior para a capital. Como disse, foi puxado, mas a jornada estava apenas começando, e esse início é justamente o nascimento do Davi.


Ah, o Davi é tão gaiato que a gente fez um bolão para adivinhar quando ele nasceria, ninguém acertou.


Obrigado por ler até aqui,


Abraço caloroso,


Paz


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