
Opa, galera, tudo bem?
Bom, esse texto será bem geek, não sei se vocês sabem, mas há uma divisão nas histórias em quadrinhos baseada na metodologia usada por Hesíodo (para facilitar, doravante, neste artigo vamos nos referir a histórias em quadrinhos como HQ – por favor, não confunda com High Quality!).
Hesíodo foi um poeta grego autor do poema “Os Trabalhos e os Dias”, também conhecido como “As Obras e os Dias”. Na obra, o mundo teria passado por cinco eras:
1. Era de Ouro: regida pelo titã Cronos, pai de Zeus, os humanos viviam entre os deuses e morriam durante o sono, de forma pacífica e sem qualquer espécie de temores;
2. Era de Prata: início do reinado de Zeus após destronar seu pai, os humanos viviam 100 anos sob a forma de crianças, antes de envelhecerem rapidamente e morrerem. Era uma geração mais impiedosa que os seus predecessores e, por vezes, desrespeitavam os deuses, pelo que Zeus decidiu extingui-los;
3. Era de Bronze: os humanos limitavam-se a guerrear, utilizando as suas armas feitas de bronze, acabando por se matar uns aos outros;
4. Era dos Heróis: a era dos semideuses e heróis;
5. Era de Ferro: o presente para o poeta Hesíodo, os humanos passaram a temer os deuses e apesar de tal situação nunca ter vindo a acontecer, dizia-se que esta raça também iria ser destruída por Zeus, numa altura em que os bebés nascessem com cabelo cinzento.
Fonte aqui

Vamos ao foco do nosso texto:
Pré-história – Era de Platina ou Era de Aventura
Eram histórias originadas das tiras de jornal que continham principalmente conteúdo policial, dramático, criminal ou humorístico, foi nesse período que surgiram os clássicos ícones como o Fantasma, O Sombra, O Aranha (não confundir com o Homem-Aranha!) Mickey, Pato Donald, Gato Félix e Flash Gordon. No Brasil, a produção era da revista Tico-Tico, O Globo Juvenil, A Gazetinha, que publicou o arco A Garra Cinzenta




Era de Ouro (1938-1956)
Começa em 1938 com a primeira aparição do Superman na “Action Comics #1” pulicada pela “Detective Comics, Inc”, - que posteriormente se tornaria a DC Comics – escrita e desenhada pelos seus criadores Jerry Siegel e Joe Shuster. Personagens Super-Homem, Batman, Mulher Maravilha, Capitão América, Namor, Arqueiro Verde, Lanterna Verde, Flash Tocha Humana (originalmente era um androide, aí reformularam para o Quarteto Fantástico), Capitão Marvel (atualmente conhecido por Shazam). No Brasil surgiu a revista Gibi (nome pelo qual se passou a nomear as HQ – ouvi muito mamãe usar esse termo), também teve a HQ O Guri, essas duas eram basicamente compilações traduzidas dos heróis da era de ouro, salvo da exceção de alguns como o Amigo da Onça, sim, daí que surgiu o termo. Uma marca dessa época é a presença dos humanos com superpoderes, a exceção do Batman – ah, que nesta época não tinha a regra de não matar, esse código do Morcego surgiu devido a uma obra chamada "A Sedução dos Inocentes" do psiquiatra alemão Fredrich Wertham, que declarou no livro: "O tipo de história do Batman pode estimular crianças a fantasias (gays), da natureza da qual elas podem estar inconscientes"... diz-se que daí veio a figura do mordomo Alfred. Esse livro marcou o fim da Era de Ouro e o início da Era de Prata.


Era de Prata (1956-1973)
Para se ajustar, os editores se reuniram para criar o "Código dos Quadrinhos" (Comic Code Authority) em resposta à polêmica vinda da obra de Fredrich Wertham – ah, foi dito que houve manipulação de dados em sua pesquisa. Tem outro artigo bacana aqui
As histórias passaram a tratar de temas mais leves e personagens mais humanizados e sentimentais além de tratar de acontecimentos relacionadas a ciência como Viagens espaciais (Quarteto Fantástico), radioatividade (Homem-Aranha), mutação (X-Men).


Heróis como Super-Homem, Capitão América, Flash e Tocha Humana (agora do Quarteto Fantástico) foram reformulados.

Teve como marcos finais a parceria de Lanterna Verde e Arqueiro Verde (“Arqueiro Verde e Lanterna Verde: Na Estrada (Hard Traveling Heroes I”) e a morte da namorada do Peter Parker, Gwen Stacy (“A Noite em que Gwen Stacy Morreu”).

“Snowbirds Não Voam” em Green Lantern/Green Arrow #85-86, escrita por Dennis O’Neil e revelando que Ricardito, o parceiro mirim do Arqueiro Verde, era viciado em heroína. A capa, inclusive, é bastante impactante até mesmo para os padrões de hoje, mostrando o Ricardito sendo pego de surpresa usando a droga, além de estampar a chamada “A DC ataca o maior problema da juventude … drogas!”. Ah!, o termo snowbird se refere, em inglês, aos usuários de heroína. Fonte aqui

Nessa era, no Brasil, a Turma da Mônica começou a ser publicada; na Argentina, Mafalda.


Era de Bronze
As HQ passaram a tratar de assuntos mais atuais, como racismo, machismo e uso desenfreado de drogas. Nessa época vê-se um Homem de Ferro lidando contra o alcoolismo. Também foi a época da globalização dos personagens. Também surgiram anti-heróis.

Demônio na garrafa”, escrita por David Michelinie e Bob Layton, publicada na revista The invincible Iron Man #120-128 em 1979. Um arco longo, se comparado com as histórias curtas envolvendo Harry Osborn ou Ricardito, que explorou o alcoolismo do Homem de Ferro, como o herói lidou com o vício, do fundo do poço ao auge. Foi um raro momento em que um herói de certa importância enfrentava uma crise dessa proporção, que poderia maculá-lo pra sempre. Felizmente, a história foi um sucesso e permanece como uma das leituras obrigatórias do Homem de Ferro. Fonte aqui


Era de ferro
Ascensão de contextualização ainda mais forte das HQ. Muitas obras foram voltadas para um público mais maduro, tais como: Sandman, Hellblazer, Watchmen... ah, e de uma das obras-primas do gênero: “O Cavaleiro das Trevas” em que Frank Miller repagina o conhecido Batman de uma forma formidável



Há quem cite novas eras depois da de ferro, o que importa é que essa era trouxe mudanças significativas nas HQ. Vide a linha tênue entre o bem e o mal. Isso a gente percebe bem nos arcos "Guerra Civil" e "Planeta Hulk" - que termina na Hulk Contra o Mundo", em que há heróis lutando entre si.



Se quiser ler um pouco mais sobre:
Bom, é só, espero que tenha curtido.
Até a próxima
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