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Cobra Kai e a nova perspectiva do Karate Kid

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 6 de jan. de 2021
  • 4 min de leitura

Lawrence e LaRusso


Cara, durante alguns anos eu vi muito seriado, pois é, Netflix, eu te usei bem. Vi séries excelentes, tais como Vikings, Black Mirror, Dark, Rick and Morty, Witcher, Stranger Things, 3%... enfim um bocado até. Vi que estava concentrando meu tempo livre quase todo nisso, deixando outros hobbies de lado, todavia continuava, até que me deparei com umas séries podres, desculpe se você gostou delas, que são: Titans (triste), Baki (que me fez até perder boa parte do meu apreço por animes, Punho de Ferro (poxa, eu realmente esperava mais) e La Casa de Papel (sobre essa, prevejo que serei execrado, cara, não gostei, ficou muito baseada em reviravolta no enredo – plot twist.


Eis que um amigo me falou sobre Cobra Kai, que era fenomenal. Não dei ouvidos a ele, “ah, só impressão de uma pessoa”; apareceu outro a elogiar, depois mais um, no quarto me convenci, “darei uma chance”. Porra, viciei, inclusive vou até deixar uma imagem aqui:



Num instante vi duas temporadas, olha, sensacional. Digo, não possui apenas mero apelo nostálgico, nem forçam a barra. A história se passa 34 anos após o torneio vencido por Daniel LaRusso, Johnny Lawrence, que vive com várias dificuldades – dentre elas alcoolismo e insuficiência de recursos financeiros, decide abrir o dojô Cobra Kai. Paralelamente, Daniel-San, bem sucedido empresário, busca manter o equilíbrio em sua vida sem a orientação de seu mentor, sr. Miyagi. Sim, só isso.


Nada demais pela sinopse, né? Bem, primeiro, tem muita porrada, sim, a chinela canta, chibata para todo lado, pancadaria de qualidade. E olha que eu vi muito filme de arte marcial, sabe aqueles filmes de Kung Fu que tem um mestre ranzinza de barba longas que defende qualquer golpe e ainda ridiculariza o adversário com a frase “seu Kung Fu é obsoleto” frase seguido de uma risada sarcástica. A direção da série realizou um trabalho impecável, tanto na coreografia como no jogo de câmera. Sensacional.


Ah, esse aspecto pode não lhe atrair, tudo bem. Vamos analisar a concepção. Em um outro seriado, How I Met Your Mother. Por sinal, vou colar uma citação de um artigo: “Ao longo da série, Barney Stinson expressou repetidamente o apoio a Johnny Lawrence, personagem de William Zabka e antagonista do clássico Karatê Kid (1984). Agora, a série Cobra Kai provou que estava certo em fazê-lo.” no mesmo, artigo mais a frente: “No geral, Cobra Kai vem para chacoalhar a visão dos fãs sobre herói e vilão da história clássica, pois os dois protagonistas têm momentos de bondade e falhas.”


Lawrence o verdadeiro Karate Kid segundo Barney

Esse ponto merece destaque: a relatividade de conduta. Somos acostumados a dividir entre bem e mal. Cobra Kai nos mostra uma outra perspectiva: a do vilão. Se você viu, talvez até tenha uma rejeição inicial quanto ao protagonista, Johnny Lawrence, no decorrer do seriado, com todo o contexto, há uma solidariedade com a jornada do antagonista de Karatê Kid, em alguns momentos, até se pode afirmar que Daniel LaRusso figura como o “do mal”. Assim como na vida, há momentos em que somos heróis, em outros, vilões – ou você realmente acredita ser bonzinho, que ninguém tem aversão a sua pessoa, quiçá ódio, só a existência já pode ser motivo para alguém derramar raiva, ou você faz algo, que não parece ser ofensivo, para o outro é. Ao aplicar o famoso chute em Johnny Lawrence, Daniel LaRusso não sabia que isso seria o início da decadência do aluno brilhante do Cobra Kai, nem mesmo o sábio Miyagi previu tal infortúnio, assim como não esperava que seu discípulo se tornava um homem bem sucedido depois do campeonato. Não apenas há essa relatividade com os antigos caratecas, mas com os demais personagens.


Outro ponto que me cativou bastante são as frases de sabedoria em Cobra Kai. Uma citação bacana, em consonância com o que se comentou no parágrafo acima: “⁠Sempre disseram a vocês para serem bons. Mas ser bom é só questão de perspectiva. Lembrem-se de que seus inimigos acham que estão certos. Eles acham que são heróis e vocês, os vilões.” Essa citação ilustra perfeitamente o que se abordou mais cima. Bem e mal podem ser conceitos relativos, sim, podem; não há ações puramente boas ou más por si, por isso o símbolo relativo ao Ying Yang possui um pequeno círculo dentro da “virgula”, dentro da filosofia budista mesmo é possível constatar isso, mentir e matar configuram desvios de conduta graves, no entanto é possível haver uma justificativa altruísta que pode abonar o carma negativo proveniente desta ação. Fora outras tantas frases de impacto, pensei em colar algumas aqui, desisti, talvez ficasse enfadonho.



A trilha sonora do seriado também cativa, muitas vezes somos agraciados com um hard rock de alta qualidade, como Motley Crue ou Twisted Sister – oh yeah, e alguns clássicos oitentistas.


Se você gosta de Karate Kid, nem hesite, veja. Se você já viu, fala o que você achou de série, na real, se achou porcaria, de boa.


Um abraço, galera, até a próxima


1件のコメント


shirleidy
2021年1月07日

COBRA KAI COBRA KAI COBRA KAI.

kkkkkkkkk

Muito bom o texto.

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