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Neil Peart, o Motoqueiro Fantasma

Foto do escritor: Pedim GuimarãesPedim Guimarães

Atualizado: 9 de dez. de 2022


Comecei a ouvir falar de Rush quando pequeno ainda, um primo meu é fã da banda há muitos anos, bota muitos nisso, eu apenas conhecia como a banda da música do Macgyver, um seriado dos anos 80, muito antes de Jack Bauer e Jonh Wick, era o rei das gambiarras, com um canivete e alguns itens que você encontra na sua dispensa, o personagem seria capaz de construir uma bomba atômica.


MacGyver

Um dia comprei uma revista sobre 100 álbuns do Hard Rock e Heavy Metal que você tem que ouvir, havia dois do Rush, um deles era o Moving Pictures, que contém Tom Sawyer, a música tema do seriado “Profissão Perigo”, o do Macgyver. O outro, salvo engano era o “2112”, uma obra que já começa de forma inusitada com uma canção de mais de vinte minutos, que na verdade são sete músicas em uma faixa só. Fiquei um bom tempo ouvindo apenas esses dois; daí conheci o “Counterparts” -, excelente por sinal, seguido pelo “Signals”, que tem uma das minhas músicas favoritas da banda: Subdivisions, um amigo recomendou o bom “Snake and Arrows” e o “Clockword Angels”, daí em diante fui para os demais álbuns. Em suma, praticamente ouvi a discografia toda, recomendo, ah, mas se você se interessar escuta o “Rush in Rio”, caso goste fala comigo que indico uns hehe.


Mas esse colóquio não será sobre a banda em si, será sobre um de seus membros: Neil Peart, o baterista. A bateria nem sempre possui o devido reconhecimento, fica lá atrás na disposição da banda, com tantos equipamentos, nem sempre é possível ver quem está com as baquetas. Neil, apesar de estar lá atrás, foi um grande baterista, versátil e inspiração para incontáveis músicos. Ah, a genialidade dele não fica apenas no instrumento de percussão, Peart se tornou o maior compositor de letras da banda. O músico entrou no segundo álbum da banda, “Fly by night”, já se percebe a diferença na pegada, o hard rock de começo foi substituído por um progressivo com letras complexas e harmonias que parecem inconcebíveis para um trio de músicos, além de Peart os outros dois são Alex Lifeson, com seus riffs marcantes e solos precisos, e Geddy Lee, vocalista, baixista e, não raras vezes, tecladista, a gente nem entende como o cara consegue dar conta disso tudo.



As letras variam de mensagens bacanas, como a tocante e emocional “The Pass” que trata sobre suicídio a enredos complexos de ficção científica, como o caso de 2112, Cygnus X-1, que são duas músicas, "Book I: The Voyage" – última faixa do álbum “A Farewell to Kings” e "Book II: Hemispheres" a primeira faixa do álbum “Hemispheres”.


A música que acho mais cativante na banda é “Ghost Rider”, não falará sobre Johnny Blaze (o Motoqueiro Fantasma da Marvel). A faixa está contida no álbum “Vapor Trails”, pode-se até dizer que seja a letra mais intimista composta por Neil Peart. No dia 10 de agosto de 1997, começava o período mais difícil na vida do lendário baterista do Rush: sua única filha até então, Selena Taylor (de apenas 19 anos de idade), falecia num acidente automobilístico na Highway 401, em Ontário, e, dez meses depois, em 20 de julho de 1998, Jacqueline Taylor, com quem foi casado durante 22 anos, seria derrotada pelo câncer.


Personagem da Marvel

Peart chegou a declarar que considerou tirar a própria vida após a perda da filha. "Nos dias que se seguiram após a morte de Selena, aprendi comigo mesmo sobre como um dia ensolarado pode se tornar escuro - um Sol totalmente equivocado - e de como o mundo ao meu redor e a vida agitada de todos aqueles estranhos me pareciam tão fúteis e irreais, da mesma forma fútil e irreal que se tornou a minha própria vida".


Após a perda precoce da filha, o casal tentou se reerguer em Londres, contudo sua esposa "começou a sofrer de dores severas nas costas e tosse noturna... na véspera da nossa partida, foi diagnosticada com câncer terminal (os médicos chamaram de câncer, mas é óbvio que se tratava de um coração partido). Assim, um segundo pesadelo começou" – declarou o músico.


Esse trecho peguei de um blog brasileiro maravilhoso sobre a banda:

“Devastado pelas perdas, o músico decidiu deixar seus companheiros de banda, familiares e amigos para ingressar numa épica viagem que duraria 14 meses e cinquenta e cinco mil milhas em cima de uma motocicleta, buscando principalmente se manter em movimento para afastar os riscos de uma auto degradação. Um homem racional que sempre lançou questões e respostas eloquentes em suas próprias letras estava despedaçado por terríveis desgraças.”



Neil Peart declarou aos colegas que desistiria da carreira musical. Pegou uma motocicleta e partiu. Simplesmente partiu numa viagem que traria sua cura e sua volta aos estúdios e palcos.


E quem seria o motoqueiro fantasma (Ghost Rider)? Neil Peart! Ele, em alguns momentos da jornada, escreveu alguns cartões postais – sim, era algo que a gente usava – para os companheiros de banda com a assinatura de Motoqueiro Fantasma, que pode ser encarado como viajante fantasma.


Essa letra, portanto, trata de resiliência de uma forma emocionante. Ah, e uma das preferidas dos fãs, se quiser conferir como a galera delirava sente o clipe aqui.


E matéria do blog sobre a música você confere aqui.


A letra com tradução está aqui.


Valeu, galera, abraço




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