Amizade
- Pedim Guimarães
- 7 de mar. de 2021
- 4 min de leitura

Oi pessoal, tudo bem com vocês? Por aqui de boa, tive uns dias ruins, dei um tempo nas atividades que me distraem. Acho que tá ruim para todo mundo, né? Se você está lendo isso depois de 2021, bom, 2020 foi barra, 2021 até agora não se mostrou como um ano muito melhor: muita gente doente, muitas mortes, muitos comércios quebrando, a maldita polarização, muitas crises de ansiedades, outros com depressão... bom, problemas diversos, torço para que melhore o quanto antes. Eu, por cá, consegui atravessar esse período amargo. Basicamente me foquei em ver Netflix, interagir com amigos virtualmente e reflexões profundas sobre diversos assuntos, escolhi um deles para divagar, um tema que sempre fará parte, assim acho, da existência humana, vamos lá.
Como disse no texto anterior, acompanho rede social, normal vermos declarações de amizade duradoura e sincera. Passa um tempo, a amizade forte deixa de existir, o que parecia eterno, nada mais constituía do que a expressão de uma euforia. Sim, logo outras pessoas surgem, assim novas fotos e textos surgem na internet. Creio que amizade não significa companhia para farra, ou convivência. E o que eu considero como amizade? Bom, mostrarei em tópicos. Lá vai.
• Ajuda. Começar pelo mais clichê de todos. Amigo aparece na hora que você precisa, dá a mão, tenta resolver seu problema da melhor forma possível, dentro da limitação de cada um. Ah, convém comentar algo, emprestar dinheiro e afins não constitui prova de amizade ou inimizade. Não. A pessoa pode constar no seu rol de amigos, todavia não pode dispor daquele montante que você precisa, ou não pode comprar aquela geladeira no cartão dele (ou dela). Algumas pessoas possuem orçamento restrito. Questão financeira se apresenta como um tema bem delicado, portanto não teste seus amigos pedindo dinheiro a eles. Sua pessoa querida pode ajudar de outras formas, seja servindo de ombro amigo, falando com conhecidos dele para descascar um abacaxi para você, apresentando soluções para você sair do buraco.
• Compreensão. A condição humana nos torna falível. Eventualmente você ofenderá uma pessoa, afinal cada ser possui sua visão de mundo, sua opinião pode conflitar de forma severa com a de outro. Óbvio que alguns pensamentos são condenáveis, não os citarei, aproveito para falar que buscarei isentar esse espaço da polarização tupiniquim, ao vivo ou em rede social posso conversar com você sobre minhas perspectivas, meu ponto de vista sobre alguma polêmica, aqui não. O intuito desse cantinho é ser leve. Voltando, a pessoa amiga pode não concordar com você, porém continuará com o apreço, por mais que haja divergência. Listo três pontos que podem acarretar em brigas: sexualidade, religião e política; um dos desses três assuntos, bom, vá por sua conta e risco. Pode ser que você tenha crenças muito rígidas, então pode ser que alguma discordância corresponda a algo inadmissível.
• Perdão. Esse item se assemelha ao anterior, contudo o de acima equivale a ter pontos de vistas distintos, o daqui reside em reconhecer que eventualmente a pessoa de quem você gosta vai escorregar, ela agiu com maldade ou simplesmente cometeu um equívoco? Cabe até falar sobre dolo e culpa, termos muito usados no campo jurídico. Dolo corresponde a uma conduta intencional, voluntária e com o objetivo de atingir certo resultado; culpa pode então ser definida como a voluntária omissão de diligência em calcular as consequências possíveis e previsíveis do próprio fato. E a gente não consegue distinguir; ou se vê maldade em tudo, ou a ingenuidade prevalece.
• Interesse. Bom, pode soar como desconexo, afinal falei de euforia. Esse tópico se concentra em ter notícias de vez em quando, não para se comparar, tampouco para saciar curiosidade, não, mas para saber se tudo está bem com seu ente querido. Com que periodicidade? Não sei, não consigo estabelecer um lapso entre um “relatório” e outro, vai de cada um.
• Atemporal. Parece até estranho, entretanto o elo entre duas pessoas não se enfraquece com o passar dos anos. A não ser que haja rupturas na confiança entre os dois. Garanto que você deixou de manter contato com várias pessoas sem motivo aparente, os humanos acabam que se agregam em pequenos grupos de acordo com afinidade e convivência, pode ser que você tenha deixado de falar com alguém simplesmente porque se mudou de residência, trocou de local de trabalho, por você ter se convertido ao cristianismo, por você ter constituído família (ou o oposto), e aquele laço está somente adormecido, latente.
• Lealdade. Um tema muito recorrente quando se fala em relações humanas é a falsidade. E falta sermos leais, cumprir as promessas que fazemos; agirmos com responsabilidade, sermos sinceros, sermos francos. Quando a gente chega e diz uma verdade que pode incomodar, agindo com franqueza, dizendo algo que pode magoar, porém necessário, muitas vezes precisamos apontar para algo e trazer o amargor da realidade em vez da doçura da fantasia. E lhe defender, claro, quem é leal estará sempre com você.
Deixo agora o questionamento, você pode pensar nos seus amigos, quantos possui, entretanto a principal reflexão que proponho é você meditar sobre sua atuação com seus conhecidos, há altruísmo em suas ações com quem você declara gostar? Você se doa por alguém? Não requer muito para ajudar um semelhante, um próximo, um parente, não se necessita de muitos recursos, tampouco muito tempo. Sabe aquele contato que apresenta comportamento triste, stories sombrios, mensagens solitárias, fotos em situação deplorável, não custa chegar e bater um papo com ele. Claro, respeite o espaço dele, sobretudo a intimidade dele, metaforicamente falando dê a mão, se não quiserem segurar, tudo bem, mas sua parte foi feita. Muito se comenta sobre os tempos que passamos serem difíceis, sabe aquela fábula famosa do beija-flor e a floresta em chamas? Ele sabia que não iria apagar o fogo, o foco está na sua parte. Não se engane, a luz que carregamos serve como esperança para muitos desafortunados de afeto. Não tira pedaço praticar gentileza, elogiar um colega, sorrir para quem lhe atende. Que maravilhoso o mundo seria se buscássemos ser amigos de todo mundo. Bom, todo mundo não dá, né? Ok, vamos lapidar isso, que bom seria que nosso objetivo fosse ser uma pessoa amigável, legal? Espalhar esse vírus da bondade por aí, desse não precisamos nos proteger.
Um abraço forte a vocês, obrigado por me ler!
Paz
Excelente texto.
Em tempos loucos que vivemos, empatia melhora vidas e convivências.
Obrigado.
Grande e fraterno abraço.