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Carnaval 2022

Foto do escritor: Pedim GuimarãesPedim Guimarães

E o carnaval se foi, sem a pompa de outrora, quem diria que o país do carnaval teria um de seus maiores tesouros apagados. E os desfiles? Ficaram para o final de abril, fora de época, já no aquecimento para as festividades juninas. Assim foram dois anos em que nossas vidas foram mudadas. Ficarão para sempre tais mudanças? Não sei, mas confesso que senti uma falta de ler o famoso poema "E agora, José?" de Carlos Drummond de Andrade, também de menções à música “Todo Carnaval Tem Seu Fim” do grupo Los Hermanos. E sem carnaval, como ficou o José? Comecei a especular com meus botões. Talvez nem a festa não ocorreu, portanto ele não sentiu falta da celebração, afinal com todas as restrições... outra hipótese é que talvez José tema o vírus, preferiu se isolar, ficou na Netflix e pediu comida pelo Ifood. Vontade de cair no mundo não lhe faltou, porém não a ponto de superar o medo de adoecer, afinal ele perdeu muita gente bacana, como todos nós. Ele começou a vasculhar o que ver no Youtube, digitou carnaval (para ver algum vídeo da época em que não havia a preocupação com essa ameaça microscópica e matar a saudade das festividades), eis que José achou a música dos Los Hermanos, nunca tinha ouvido direito, José é folião, nunca deu a devida importância ao rock brasileiro, a música começou, nosso festeiro chorou ao ouvir “Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz”, tudo o que ele queria era brincar de ser feliz, ou pelo menos fingir felicidade. E agora, José? A pizza perdeu o sabor, nosso protagonista foi se deitar, orou por dias melhores, porque além do vírus tem uma guerra no mundo. José só queria que as pessoas brincassem mais de felicidade.

 
 
 

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