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Convencimento, discussões e afins

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 17 de mar. de 2021
  • 4 min de leitura

Olá, pessoal, tudo bem?


Bom, se você usa rede social, certamente já se deparou com alguma briga virtual, que geralmente possui muitos xingamentos, alguns até direcionados aos genitores dos envolvidos na contenda. Comentários carregados de ideologia e ódio. Todo participante quer contribuir, sobretudo humilhar os opositores, um ou outro que objetiva converter os divergentes ao seu ponto de vista.


Eu já discuti muito na internet, isso na época do Orkut, uma rede social da pré-história, em vez de páginas nessa rede havia comunidades, semelhantes aos grupos do Facebook. Havia comunidade de tudo que era tipo, umas bem imbecis, mas outras bem organizadas, com debates de nível elevado. E eu me metia a comentar: teorias da conspiração, alienígenas, chinesa de ação chinês, artes marciais (mais especificamente Kung Fu, a que mais pratiquei), videogame, política, enfim... Não raro o clima esquentava, óbvio que eu ia na onda, ofendia toda a árvore genealógica da pessoa e possíveis herdeiros. É, eu era meio estourado, na internet então... Continuei um pouco no Facebook, aí percebi que primeiro não havia o mesmo nível e concluí que estava perdendo tempo.


Reação ao pensar em briga de internet

E vamos lá, por que perda de tempo? Primeiro, se torna uma troca mútua de ofensas que vai levar a lugar nenhum, fora que talvez um dos interlocutores fique escrevendo sem ler as réplicas. Acho que a vida é muito curta e a internet muito grande para se perder tempo discutindo assim. Segundo ponto, o tema desse texto, o convencimento depende mais do receptor da mensagem do que emissor. Se alguém não estiver disposto a mudar seu ponto de vista, garanto, não mudará. Pode ser por birra ou por aquela convicção estar enraizada na sua mente.


Vou exemplificar, uma situação que ocorreu comigo. Eu não curto notícia falsa, se eu perceber abertura ou tiver consideração pela pessoa explico, envio matérias, embaso o que digo. Há alguns anos um colega da academia pôs uns vídeos do icônico Bruce Lee jogando pingue pongue com nunchakus. E começou a enaltecer a habilidade do finado ator. Sem hesitar colei esse link para ele, que duvidou da credibilidade do site, mostrei mais alguns, falei que aquilo era uma propaganda, ele não mudou a perspectiva, joguei mais links – uns de fora. Até que ele encerrou com algo assim “vou continuar acreditando que ele jogava pingue pongue”. Eu fiz um esforço hercúleo em prol da verdade, fui eficiente, mas ineficaz.


Exemplos de Nunchaku

As pessoas se apegam às verdades que escolhem, sejamos francos. Nem todos estão dispostos a aceitar mudar conceitos enraizados em seu âmago. Como se pensasse assim “a verdade é minha, faço o que quiser com ela, se eu quiser mudar algo nela aí posso pensar em pedir ajuda”. E é difícil, afinal muitas vezes uma crença pode ter sido um elemento para uma decisão, um ensinamento, algo que lhe ajudou em um momento tumultuado da sua jornada. Para ser polêmico, vamos realizar um experimento para gente treinar nossa capacidade de mudar, vamos supor que se descubra que Jesus Cristo nunca existiu, como estaria a sua fé? Exagero meu? Quão forte podemos definir o nível de apego de alguém a alguma crença? Você pode? Eu não.


Rede social tem algo chato, que visa agradar ao usuário: os algoritmos direcionam o conteúdo voltado para satisfazer cada usuário, portanto ficará difícil aparecer no seu “feed” alguma publicação que venha a lhe causar repugnância ou simplesmente ser fora de sua preferência mesmo. E a gente fala muito de tolerância, entender o outro lado, mas a gente vê o outro lado quando estamos envolvidos? Saindo do âmbito virtual, agora no real, plano físico, quando você tem uma discussão com seu cônjuge, ou quem quer que seja que more com você, como se porta? Em um conflito de duas pessoas há dois pontos de vista e uma verdade, que pode até ser construída entre as partes, imposta pela outra, seja por demonstração de poder ou por desistência da outra parte. A duração da briga dura até que um dos envolvidos busque solucionar o mal estar em vez de provar seu ponto de vista. E quem vai ceder, mesmo que teatralmente, a sua verdade, sua razão, em prol da de outrem?


Comecei a refletir sobre isso desde que ouvi da organizadora de uma Sanga – encontros de budistas (não, não sou budista, nem fui) – comentando sobre um convite feito pelas colegas dela a mim e a mãe do Davi para participar de forma efetiva da comunidade budista. Ela disse educadamente que estávamos livres para decidir, aí uma das colegas a interrompeu e disse que estava quase convencendo o casal a ingressar na Sanga, “não, cada um só se convence daquilo que permite”. É uma paráfrase dela, mas o sentido é esse mesmo. Quantas vezes você fez a pedido de outra pessoa algo que realmente não queria fazer, executar algo contra sua vontade, isso é diferente de se arrepender, neste caso havia vontade, porém o resultado alcançado foi diverso do esperado ou não trouxe a satisfação esperada, talvez por expectativas elevadas demais.


Para finalizar, eu busco entender sempre o que o outro pensa, juro que faço o máximo para abraçar a diversidade de pensamentos, mas tem algo que me preocupa: negacionismo de ciência. Eu mudei muito minha crença espiritual – de católico, ateu, pagão, ateu, agnóstico a crer em algo – posso depois explorar esse tema. Algo em que sempre depositei confiança e esperança é na ciência, me desculpe aos que dizem que a fé cura, tudo bem, ela cura, mas remédios salvam muito mais. A produção farmacêutica, apesar de capitalista, deve tudo à ciência. E negar tudo isso equivale a matar o trabalho dedicado de vários cientistas renomados. Temo que essa parcela obscura venha a crescer mais, isso pode acarretar em um atraso tecnológico sem igual, nestes últimos anos o quanto avançamos! Aí vamos perder tudo? E mais me espanta quando percebo que alguns movimentos de negação se relacionam intimamente com algumas correntes religiosas. Bom, isso daria outra prosa. Vamos parar por aqui.


Um abraço terno,


Paz


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