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Divagações sobre amor e paixão

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 13 de jan. de 2021
  • 5 min de leitura

Atualizado: 17 de mar. de 2022


Oi, pessoal, vocês tão bem?


Quem convive um pouco mais comigo deve saber do meu gosto por divagações, cara, até quando se trata de besteira, que às vezes eu invento, por exemplo quem ganharia numa briga: Asterix ou Ragnar? Bom, nesse colóquio resolvi comentar sobre minha perspectiva sobre a diferença de amor e paixão.


Vocês já notaram que a gente fala muito de amor, mas será que a gente entende? Caralho, comecei falando feito coach. A gente é bombardeado com músicas românticas, filmes com um romance como pano de fundo, até quando o filme tem várias explosões e mortes, quando menos se espera: um beijo na boca seguido de uma declaração apaixonada. Como se fosse “preciso salvar Nova Iorque da ameaça daquele monstro gigante, mas antes..”. – silêncio de suspense, a câmera se foca para uma mulher, o herói beija a dama no estilo selvagem, ela fica sem ar, ele prossegue – “vou voltar pra você, boneca, afinal eu te amo”.


Músicas com tema de amor, há milhares, claro que várias se focam em amores não muito ortodoxos ou uma tristeza oriunda de uma paixão mal resolvida, sim, daquelas bem dor de cotovelo, e o que seria do gênero musical brega sem esses casos desses sentimentos, alguns artistas, como a Marilia Mendonça, nem estariam fazendo sucesso se não abordassem esse tema. Apesar dessa popularidade sempre crescente, creio que há muitas canções falando sobre amor mesmo, de forma pura e singela, tal como cantam vozes famosas como Frank Sinatra, Nat King Cole, Tony Bennet, Ella Fitzgerald... Perceberam que mesmo com toda essa imersão musical em amor a gente não o pratica? Nem com os cônjuges, tampouco com a família, menos ainda com amigos, com colegas de trabalho nem se fala. Genialmente um grande músico, Frank Zappa, pronunciou essa frase “Existe mais canções de amor do que qualquer outro tipo. Se canções influenciasse as pessoas, amaríamos uns aos outros”. Por falar nesse cara, recomendo ouvir, sensacional, escuta alguma coletânea dele, afinal ele possui dezenas de álbuns. Eis abaixo uma das músicas mais famosas dele:


Não praticamos o amor, mas a paixão... ah, essa aí a gente pratica. Quem nunca passou por isso? Ainda mais uma paixão platônica, ein? Usei de propósito paixão em vez de amor na frase anterior. Do nada a pessoa pensa que outra é sua alma gêmea, na minha época, as meninas escreviam nos cadernos e agendas, com canetas coloridas, até com glitter, vários desenhos de coração, simpatias, enfim... os meninos, como somos mais fechados para compartilhar sentimentos, em regra guardávamos na mente, quando muito falávamos com um amigo, alguns no máximo. Até acontecia um ser menino ser objeto de desejo de uma menina; e esta, daquele, ou seja, daria para formar um casal, como ninguém se falava, não havia essa comunicação constante que as redes sociais proporcionaram, então os pombinhos em potencial ficavam apenas na paixão platônica bilateral, em miúdos: só na imaginação, onde ninguém é de ninguém. E essa paixão avassaladora, com um certo tempo, esvaía-se, não raro seguido da reflexão: o que eu vi nessa pessoa? Do mesmo jeito que veio fácil, parte do mesmo modo.


E o amor? Diferente, cara. O amor não chega como uma tormenta, arrastando tudo, chega como uma nuvem, por que não dizer com um céu nublado, aos poucos forma-se a chuva, que chega de forma moderada, para irrigar o solo, amenizar o calor, um fenômeno da natureza que visa cultivar a vida, nunca visa destruí-la, jamais. Digo isso, pois alguns infratores alegam esse sentimento sublime quando tiram a vida de um cônjuge, ou de ex. Não sei se vocês pararam para pensar, o termo que se utiliza é crime passional. O amor tem um caráter sublime, de empatia, revigorante. Se quem ama percebe que não há mais condições de permanecer com seu amado, por mais que seja doloroso, os dois se distanciam, sempre com respeito ao outro, com desejos de que o antigo companheiro tenha felicidade nos próximos relacionamentos. Sinceramente, se você quer que seu ex se exploda, não havia amor, ou até havia, porém pode ter acontecido algo que feriu seus sentimentos, e, olha, tudo bem, você não é um monge tibetano, nem eu. Agora, cultivar essa raiva toda pode te prejudicar, então deixa a vida acontecer, o universo executará uma pena para quem te magoou, não por mera crueldade divina, mas com caráter de aprendizado, que creio constituir nosso principal objetivo neste plano, de acordo com a canção do Gonzaguinha: “Viver / E não ter a vergonha / De ser feliz / Cantar e cantar e cantar / A beleza de ser / Um eterno aprendiz”


Uma grande diferença entre amor e paixão que consigo perceber: amor ocorre de dentro para fora, paixão de fora para dentro. O que vemos mais nos filmes são odes à paixão. Por exemplo, em uma comédia romântica, no meio do longa metragem, um dos protagonistas recebe uma proposta de emprego excelente para outra cidade, porém, se ele assumir o trabalho, ele deixará a pessoa amada para trás, ah, usei o pronome pessoal do caso reto masculino, pois se trata de uma forma anafórica, contudo pode ser mulher, por que não? Voltando ao enredo, no final do filme o que tinha um futuro promissor desiste em prol desse sentimento sublime, abraçam-se, a cena congela num beijo entre eles, os créditos começam a subir pela tela com uma trilha sonora bem romântica. Fofo. Não me orgulho de já ter visto mais comédias românticas do que você imagina. E há vários exemplos em que a sétima arte enaltece a paixão. Isso se expande para música (falamos acima), literatura (vide a série de livros Julia, Sabrina, Bianca), pintura...



Então se o amor começa de dentro, talvez a gente devesse começar amando a nós mesmo, não é? Ah, por amar a si mesmo, entenda que não constitui numa justificativa de egocentrismo, não. Amar-se não significa que você seja a pessoa mais especial do mundo, não, para começar, você é muito duro consigo? Você já se perdoou por algumas falhas no passado? Você aceita suas imperfeições? Você se cuida? Você executa atividades que lhe geram satisfação? Pensa bem, fica complicado amar os outros se você não cultiva o amor próprio. O foco fica sendo exclusivamente os outros. E repito que ter atenção consigo não é alimentar o ego. Há um aforismo grego, muito famoso por constar no Templo de Delfos, construído em honra a Apolo, o Deus grego do sol, da beleza e da harmonia: "conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses". Quem se volta para si entende o universo, como o amor faz parte, então...


Isso aí, galera, pratiquem o amor. Abraço a vocês, até a próxima!

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