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Esses tempos de isolamento

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 19 de abr. de 2020
  • 3 min de leitura


O vírus convive entre nós, assusta-nos, repetindo a frase tão pronunciada esses dias “o mundo não será o mesmo”. Tentarei fugir do que vocês já estão saturados de ler e ouvir. Neste colóquio vamos falar de tecnologia e seu impacto. Com o isolamento passamos a buscar mais plataformas online, houve mais buscas por cursos de capacitação, aulas de diversas modalidades, consultas (o conselho federal de medicina liberou a “telemedicina”), atendimento psicológico online, etc.

Apesar de sermos um país bem inserido na internet ainda fazemos poucas atividades no mundo virtual, passamos mais tempos em rede social do que resolvendo pendências. Muitos ainda pagam suas contas em bancos e lotéricas, creio que por falta de intimidade com aplicativos. Não concebo que haja tantas pessoas com problemas para terem que ir a uma agência física. O pagamento online possui mais segurança e mais comodidade. A quarentena afetou diretamente o mundo do entretenimento, com o cancelamento de vários shows, alguns artistas já começaram a apostar em encontros online com seus fãs, as famosas “lives”, os cantores de músicas sertaneja deram o pontapé inicial no Brasil, com produções arrojadas e muita bebedeira. Sim, muito álcool, vimos momentos proporcionados pela embriaguez, um dos cantores alegou não se lembrar do que fez na sua apresentação. Além disso, vários influenciadores digitais realizam bate-papo com seus seguidores, uns em tom mais descontraído, outros já como uma palestra, workshop. Com as academias fechadas, os profissionais de educação física também apostaram nas plataformas online, os que já possuem suas plataformas próprias aproveitaram para divulgar mais seus serviços, outros viram a oportunidade e já começaram a tentar se adequar ao mercado. Academias fizeram “lives” de treinamento para casa. Algumas igrejas começaram a transmitir eventos para seus fiéis. Infelizmente houve religiosos que não entenderam que essa limitação em nada contradiz a liberdade de culto, princípio constitucional em que momento algum foi posto em xeque. Com a quarentena, logo as corporações buscaram uma forma de fazer seus empregados produzirem durante o isolamento, qual a solução encontrada? Sim, home office, no bom português, trabalhar em casa. Com nossos dispositivos eletrônicos e a nossa qualidade de internet já se pode atuar com poucas limitações do conforto do lar. O empregado tem as benesses de labutar no conforto do lar, não pegar trânsito, uma sensação de ter mais tempo livre; em compensação usa seus recursos tais como equipamento, internet, luz, água... como ainda estamos no período de afastamento, ainda não se sabe se as empresas adotarão esse modelo doravante. Uma pesquisa do IBGE mostrou que 3,8 milhões de brasileiros trabalhavam dentro de casa. O home office, destacou o IBGE, teve queda de 2,1% entre 2012 e 2014, cresceu 7,3% em 2015, voltou a ter queda de 2,2% em 2016. Já entre 2017 e 2018, cresceu em 21,1%. Uma boa consequência de haver mais pessoas trabalhando em casa seria a redução do trânsito, obviamente o quem trabalhar em casa sentirá mais esse impacto, afinal não terá que se deslocar para o trabalho. Trânsito é algo que consegue me tirar do sério de forma avassaladora, acho que você, querido leitor, também sofra com isso, aliás quem não sofre? Talvez até os seres mais iluminados se enfureçam com isso. Além disso, você define seu horário de trabalho, desde que o serviço seja cumprido, claro. Bom, mas trabalhar em casa não traz apenas bons resultados, há o lado chato disso tudo. Por exemplo, ter a família perto pode ser bom, porém em alguns momentos pode atrapalhar a rotina profissional. Imagine-se no meio de uma reunião virtual, aí um parente começa a gritar chamando por você para ajudar em alguma tarefa doméstica, ou então uma criança entrar gritando no seu escritório. Necessário diferenciar intimidade do profissionalismo. E a nossa vida íntima? Para matar a saudade de nossos entes queridos passamos a usar mais aplicativos para vídeo chamada a fim de diminuir a distância entre nós. Matar acho que não dá, porque a tecnologia ainda não foi capaz de imitar a sensação daquele abraço gostoso de quem a gente ama. Seja como ficar o mundo após a quarentena, espero sinceramente que a gente possa aproveitar da melhor forma essa onda tecnológica iniciada, como também repensarmos nossos hábitos em prol da coletividade. Tomara que esse período termine logo, assim poderemos tocar nossas vidas o mais próximo do que estava antes.

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