
Essa história já é bem antiga, eu vou tentar resumir com o que vem na minha memória.
Eu e um amigo tivemos uma ideia brilhante: ir a uma boate de striptease. O nome do local: Barbarella, ficava em perto do terminal do Antônio Bezerra. Ele simplesmente chegou para mim e convidou.
- Bora lá?
- Ora, na hora.
Ele disse que me buscaria em casa. No dia programado esperei, ele não explicou como era o carro, apenas disse que seria surpresa. Eis que ele chega numa Kombi com adesivos de personagens da Disney e um grande aparelho de som em cima do automóvel. Confesso que fiquei surpreso mesmo com a chegada daquele veículo ousado. E rumamos do Meireles para o Antônio Bezerra ao som ligado em uma coletânea do Air supply, então imaginem aí uma Kombi com desenhos do ursinho Puff, Mickey e sua turma vagando pela cidade e tocando Making Love Out of Nothing at All, I Can Wait Forever, Lonely Is the Night, entre outros clássicos da dupla. Chegamos à boate, estacionamos perto da entrada, entramos, o ambiente possuía um odor de cigarro barato, desinfetante e madeira velha. Perguntamos a um dos garçons como era o procedimento.
- Você paga o show, são duas músicas que ela dança, uma sozinha, a outra com você. Pode fazer de tudo um pouco, menos enfiar o dedo nelas. – Finalizou a explicação com uma onomatopeia de flatulência e inserindo os dedos indicador e médio de uma mão num arco de dedos feito com os dedos indicador e polegar da sua outra mão.
Então conversamos com umas, até que achamos uma que topou dançar para os dois, o nome dela, aliás o pseudônimo, era Gabriela Mahoney. Ela acenou para o DJ e esperamos ansiosamente. Começa a primeira música: Paradise City do Guns n' Roses, momento solo dela. A segunda escolhida foi November Rain; e vocês sabem que uma música grande mais ou menos oito minutos então eu fiquei feliz porque ia fazer valeu meu dinheiro. A canção vocês devem saber que ela inicia lenta até que chega no clímax depois ela tem uma queda no ritmo, isso tem uma relevância com a história. Pois bem, ela dança, eu e meu amigo nos alternávamos, ora ela ia para mim, depois para ele, sempre respeitando a regra de ouro repassada. Entra o primeiro solo da música, Slash caprichosamente executa de forma lenta, sempre com seus bends e vibratos mui bem executados, essa passagem é mais tranquila. E entre o segundo solo, eita que a guitarra chorosa só falta falar, nós lá coisa e tal, o clima aumentando, sempre com a regra em mente, ela realizava suas danças sensuais em cada um. Aí entra o terceiro solo, minha joia, lembrem que antes de entrar esse trecho há todo um preparo musical, além do piano nervoso tem uma base pesada, aí o Slash dá seu show no que faz melhor, manda brasa na sua Les Paul da Guibson, a gente se empolgou, estava uma disputa entre nós para ver quem fazia mais ações de ousadia. No decorrer dessa obra prima do rock, a moça posicionou o quadril na cara do amigo, ele se deixou levar pelo momento, entrou de cara nessa emoção, ah, havia uns marinheiros por perto, eles começaram “vai garoto, vai garoto”, uma torcida mais enérgica do que na disputa dos pênaltis da Copa Do Mundo De Futebol de 1994 (vai que é tua, Taffarel!), de trilha sonora o daquela cena solo mais nervoso da música, a moça se assustou com a empolgação do meu amigo, decidiu encerrar a performance.
De lá empolgadíssimos seguimos para uma casa de forró aqui em Fortaleza chamado Mansão do Forró. A Kombi do amor em toda velocidade cruzou a cidade para a Parangaba, claro que com Air Supply de fundo. Ele estacionou o carro, fomos para a bilheteria recepção. Hesitamos em entra, época de vacas magras: pouco dinheiro e muitas aventuras. Na espera passaram duas meninas, paqueraram a gente, era a motivação para entrar no evento. Perguntamos o valor do ingresso, dois reais, se converter para hoje, deve equivaler a dez reais. Quando entramos lá não encontramos as meninas, saímos frustrados. Quando saímos, fomos em direção ao galante possante. Nada de o vermos.
- Pedro, tu tá vendo o carro?
- Tá ali, oh. – Menti com sinceridade, afinal eu sou meio cego, confiei na minha positividade, ele também.
Demoraram uns minutos para nossa ficha cair. Ele telefonou para o pai dele, que acionou a polícia, resumo o carro foi recuperado, mas sem o som. Voltamos para casa no ensurdecedor silêncio e com o sol nascendo.
Mostrei esse texto pra mãe do Davi.
- Eu tinha uma imagem linda dessa música, dos meninos do filme do Thor – “Thor Amor e Trovão” – lutando, vencendo os medos e suas limitações. Aí tu me fala essa história... A lembrança bonita se foi.

Finado Barbarella, descanse em paz!