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Os meninos do Titanzinho 2

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 31 de mar. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 28 de jun. de 2021



Houve um problema na casa de Carlim, ele saiu às pressas do mar para saber o que ocorrera em sua casa, chegou um fuxico: o irmão de Carlim, Nego Drama, havia sido preso pela polícia militar com um revólver, apontado como autor do homicídio de Lorim. Tudo não passou de um engano, o preso conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos foi o Nereu Jampa. Carlim saiu às pressas do mar, esqueceu sua prancha. Seu fiel amigo, Chumbado, levou para casa, também não foi muito esforço, afinal ele morava perto da praia, isso ocorreu em um sábado à tarde. Domingo de manhã seguinte não foram à praia, quem curte mesmo o mar deve preferir os horários em que não há muitos banhistas. Bom, claro que o surfista optará por boas condições climáticas para pegar sua onda. A mãe de Chumbado havia saído para igreja. Pouco depois Carlim.

- Ai, pivete, cadê o bagulho?

- O verde?

- Não, o bagulho da tua mãe, parceiro.

- Ei, menor, dá a ideia pra ti. Na moral, fale de mãe não, não mesmo, vá lá.

- Vixi, foi mal

- De rocha.

- Tranquilo. Bora, cuida, cadê o fino? – perguntou Chumbado.

- Ora mah, tu acha que sou vacilão?

- Acho.

- Ih, menor...

- Já acendi aqui.

Algumas baforadas depois.

- Tava pensando aqui, tu acha que quando a gente morre, vai pra céu e inferno ou tu acha que a gente volta e tal? – indagou Carlim.

- Pow, acho, acredito em reencarnação e tal. – declarou Chumbado.

- Caralho, quando falo dessa parada aí, a galera fica bolada.

- Faz sentido né? Esse tempo todo que existe o mundo e essa parada toda. Aí o nego vai, vive só uma vez e já era?

- Né?

- Aí a galera mete a ideia de “eu não lembro das minhas outras vidas”, véi, tu não lembra nem o que almoçou ontem.

- Isso.

- Tu não lembra de um bocado de lance de quando tu era pivete, bem pequeno mesmo, se liga?

- Isso – Carlim estava com o cigarro, deu uma tragada prolongada, passou para Chumbado e questionou – ei, se tu pudesse escolher um local pra tu nascer na tua vida seguinte, onde seria?

- Diz tu antes – respondeu Chumbado com voz arrastada.

- Jamaica, claro. Imagina aí, verde do bom. Eu acho que iria tentar ser aqueles corredores, velocista, se liga? Ou então montar uma banda de reggae lá.

- Boa.

- Ou então algum país massa, tipo Suíça, Noruega, com IDH alto.

- IDH?

- Índice de Desenvolvimento Humano, tu fica viajando nas aulas?

- Claro.

- Mah, é um índice para verificar se o país é bom, tá ligado? Usam critérios como escolaridade, taxa de alfabetização; expectativa de vida e renda.

- Me ligo. – Chumbado com respostas curtas e balançando a cabeça em afirmação.

- E tu, Chumba?

- Cara, aqui mesmo. Eu acho massa aqui. Sou feliz. Só queria ter uma vidinha melhor, um pouco mais de dinheiro. Precisa muito não. Só para comprar minhas coisas, sabe?

- Te entendo.

- Tu entende, mas sei que tua parada é outra. Tu quer ser playboy. Eu não, eu sou feliz com o pouco que tenho, e ser feliz é isso, sabe? Estar satisfeito com o que se tem e estar em paz consigo. Problema que o nego passa dificuldade demais, se não fosse aqueles corres, tu é doido. E eu não quero tanto, só comprar umas besteirinhas aqui e acolá. Eu queria comprar um fone, fui lá, peguei a grana, comprei, foda-se. Tu não, Carlim, tu estuda pra caralho, às vezes tu até compra uns livros cabeça, eu te vejo, irmão. Tu vai ter mó futuro de sucesso, eu acredito.

- Caralho, viado, tu quase me fez chorar nessa tua ideia aí. Nem sei mesmo, mas eu quero mesmo ser melhor.

- Olha aí, você quer ser melhor, eu quero só viver de boa mesmo.

- Cada um com seu objetivo.

- Isso, tomara que tu não vire um doutor pau no cu.

- Qual é, Chumbado. Chega aí, eu nunca vou esquecer dessa amizade. –abraçaram-se, o coração de Chumbado acelerou, mas logo depois se separam – Chumbado, vou nessa, irmão. Se cuida.

- Valeu. – e Chumbado ficou ali, escutando uma “pedra”, como eles chamam música boa, Could You Be Loved do Bob Marley, reflexivo olhava para o teto de sua casa, pensamentos se perdiam na fumaça do baseado.


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