top of page

Sexta-feira

  • Foto do escritor: Pedim Guimarães
    Pedim Guimarães
  • 22 de nov. de 2019
  • 2 min de leitura


Sexta-feira, cinco horas da tarde. Falta pouco para acabar a semana de trabalho, exatamente uma hora. Desde as duas horas da tarde Cláudio acompanha o passar do tempo, estava inquieto, queria que o expediente terminasse logo. Parece que quanto mais se quer que algo seja rápido, maior é a demora.


A inquietação do ansioso era percebida pelo tremor incessante de suas pernas. No começo era só a perna direita, depois passou para a esquerda, agora ambas se movimentam freneticamente, tanto que fazem Cláudio balançar todo o corpo. O pior desse movimento é que se torna involuntário, parar é uma tarefa árdua. O impaciente só percebe que está sendo ridículo, com o risco de ser taxado de louco, quando o suor desliza pela pele. Cláudio parou.


Cinco horas e quinze minutos. Toda aquela atividade rendeu um bom tempo. Ele havia acabado suas tarefas há duas horas, assim como seus colegas, aliás, quase todos. Não havia mais o que fazer por enquanto, e ainda tem quarenta e cinco minutos pela frente. Se pudesse sair mais cedo, seria um presente de Deus.


Cinco horas e dezoito minutos. O relógio parece não colaborar. Será que se fossem adiantados uns minutos alguém ia notar? Claro que sim. Idéias de como passar o tempo de forma mais rápida foram acompanhadas do movimento de seus dedos batendo na mesa, começava pelo mindinho e ia até o indicador, depois fazia o inverso. Eis que, após algumas batidas, algo lhe ocorre.


Cinco horas e vinte e nove minutos. A maneira escolhida foi pensar nas tarefas que tinha a fazer em casa, como pagar condomínio. Mentalmente ele estava traçando um planejamento de suas tarefas. Uma boa forma de se ocupar de maneira produtiva. Cada ideia era estimulada por coçadas no queixo mal barbeado.


Dez minutos para dar seis horas. Uma lembrança vem de súbito: fazer uma planilha que seu chefe havia pedido há dois dias atrás. E o prazo de entrega era no fim do expediente de sexta-feira. A ansiedade deu lugar ao desespero. Como fazer uma planilha complexa nesse pouco tempo? Era difícil. Ou teria que permanecer no trabalho até acabar, ou dizer que vai entregar depois, com possibilidade de castigos.


Cinco e cinqüenta e sete. O trabalho pode ser adiado, o fim de semana está próximo, nada vai atrapalhá-lo. Que venham as preocupações na segunda, que é um dia mais propicio ao estresse.


Kommentare


bottom of page