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Sobre Terapia

Foto do escritor: Pedim GuimarãesPedim Guimarães


Olá amiguinhos, tudo bem com vocês? Pois é, ando sumido, não estou escrevendo com a frequência que desejo, mas não esqueci desse espaço, nesta ocasião gostaria de lhes falar sobre um tema que há pouco tempo deixou de ser tabu para mim: terapia.


Acho que meu primeiro contato com psicólogo foi quando eu tinha cerca de quatro ou cinco anos, minha mãe me levou por me achar introvertido demais, por falar muito pouco sobre mim, ela ficava angustiada por querer saber o que se passava na minha cabeça, afinal nada mais previsível para uma mãe preocupada com o bem estar do filho, fora isso eu tinha um medo inexplicável da abertura do programa Fantástico da época. O que me lembro dessas idas é que era bem divertido, eu brincava com outras crianças, ah, algo de que nunca me esqueci: a psicóloga conseguia botar a língua no nariz, claro, dentro de um contexto, não me recordo bem, mas era sério.


Uns anos mais tarde, tempo depois da morte do meu pai, voltei a ir, novamente minha mãe me achou muito fechado, queria saber como eu estava lidando com isso, se uma perda de um ente querido deixa um adulto fora de si, uma criança então... nesse momento eu tinha cerca de dez anos, a terapia também era regada a brincadeiras, recordo de alguns momentos da psicóloga mencionar sobre meu fechamento, falha-me a memória ao lembrar do motivo de eu ter deixado de ir.


Anos mais tarde, no período de pré-vestibular, busquei ajuda para o teste vocacional, se um adulto já não sabe o que fazer da vida, um adolescente então, minha mãe marcou um horário com um psicóloga, novamente estava frente a frente com uma. O teste foi feito, resultado legal, tudo bem, até que a profissional resolveu aplicar testes de personalidade em mim, já na hora estranhei, pois eu havia pedido meramente o teste vocacional, mas já estava lá, fiz todos. Na sessão seguinte, da entrega dos resultados, não ocorreu tão bem, ela me mostrou os resultados, simplesmente ela me mostrou o que havia apurado, hoje entendo que ela estava certo, mas na hora aquilo me causou uma revolta imensa, refutei tudo o que ela me apresentou, criei aversão a tudo relacionado a psicologia e afins.


Muitos anos se passaram, vi-me no fundo do poço, quem não sabe, eu sofro de depressão e ansiedade, pessoas próximas a mim recomendaram fazer terapia, inicialmente a ideia me causou ira, claro, por anos desconsiderei tudo relacionado a psicólogos, porém algo me vinha “será que estou com medo de olhar para dentro de mim?”, daí comecei a questionar se além de não me expor aos outros eu não me escondia de mim mesmo? Um dos maiores adversários que o ser humano encontra durante sua jornada é ele mesmo, outro é o tempo.


A ficha caiu, percebi que deveria encarar esse monstro, todavia, entre a decisão e a ação rolou um bom tempo, agendei uma ida ao psiquiatra e ao meu nêmesis, uma psicóloga. Minha mãe e meu irmão recomendaram que eu buscasse uma abordagem específica da psicologia Terapia cognitivo-comportamental (TCC). E o que seria isso? Bom, peguei uma definição da Wikipedia para vocês, eis:

“TCC é uma forma de psicoterapia que se baseia no conhecimento empírico da psicologia. Ela abrange métodos específicos e não-específicos (com relação aos transtornos mentais) que, com base em comprovado saber específico sobre os diferentes transtornos e em conhecimento psicológico a respeito da maneira como seres humanos modificam seus pensamentos, emoções e comportamentos, têm por fim uma melhoria sistemática dos problemas tratados.”


As primeiras sessões foram bem difíceis, sentia-me nu perante a psicóloga, após cada sessão me batia um esgotamento inigualável, porém mais leve. Na verdade, ainda fico um pouco desconfortável perante a psicóloga, foram anos de reclusão sobre meus sentimentos. Já me falaram que há uma melhora perceptível em mim, então encaro minhas sessões como parte não só da minha recuperação, mas como parte de uma evolução. Sei que há um longo caminho para percorrer, pois como diz o ditado oriental “Uma caminhada de mil léguas começa sempre com o primeiro passo.”, tenho convicção de que meus primeiros passos foram dados. Espero persistir nessa jornada.


Abraço a vocês, até a próxima

Paz

 
 
 

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