
Oi amiguinhos,
Como vão? Por aqui de boa.
Sim, pus um título para chamar atenção, o desenho por si já chama. E se te ofendi, poxa, desculpa. Ah, e isso, por incrível que pareça, constitui um estilo de arte. Não estou brincando. Esses dias acharam um desenho de pênis feito no Império Romano em muralha milenar . Por incrível que pareça, concordo com seu ponto de vista, você deve pensar que desenhar membros é uma ação de vândalos infantis. Sim. E inclusive cito essa matéria em que pilotos são investigados por desenhar 'pênis gigante' no ar. Ah, a brincadeira tomou proporções até interplanetárias (vide a reportagem de desenho de 'pênis' na superfície de Marte repercute entre internautas). Você pensa que é algo da civilização moderna, então mostro esse link em que se fala sobre uma escultura de pênis pré-histórica descoberta na Alemanha. Às vezes eu penso que os sinais enviados no espaço foram desenhos de pênis, ou algo que remonte a isso, sim, o membro fálico. Ah, o saudoso Ricardo Boechat adorava desenhar pênis durante suas divagações sobre política, infelizmente eu não achei link para comprovar, essa informação foi repassada por Eduardo Barão, arauto do finado jornalista, comentando a biografia recém escrita na época dessa fala. Espantei-me ao saber que as ilustrações eram incríveis, chocava pela habilidade artística como pelo grau de periculosidade do artefato.

Talvez você não compreenda a magnitude dessa arte. Normal. Poucos olhos podem apreciar a beleza dessa arte sublime. E eu era fã disso, mesmo sem saber. Ofendi alguns colegas de escola ao desenhar a genitália masculina em seus cadernos. Se você estudou comigo, teve uma jeba desenhada em seu caderno e você nunca descobriu a autoria desse delito gravíssimo, provavelmente tenha sido eu. Em toda sala há mais de um que desenha e mais de um gaiato, na escola eu fui o sonso. Tanto que desenvolvi minha escrita me passando por mulher e escrevendo carta de amor para os colegas da sala. E aí entendi o porquê de tirar notas baixas em redação, eu me preocupava mais com a norma em si mesma do que com a adequação do conteúdo, que deve ser gerado sem limites, à medida que você desenvolve sua criação começa a adequar a diversas normas. Depois passei a me despreocupar, voltei a me focar em produzir conteúdo bom. Isso vale para vida, buscar fazer algo bonito dentro das normas, só que na vida a gente está sob a tutela de normas legais, que se exemplificam no código penal. As normas de conduta social também balizam nossos atos, a gente não pode ter comportamento bestial, de atender a todo e qualquer impulso. Outra a norma a que somos submetidos é a do carma, e isso entendo mais como um sistema contábil, os atos podem ser positivos ou negativos, quanto mais atos benéficos digamos que pode corresponder a uma lucratividade maior. Os atos maléficos geram perdas ao patrimônio da empresa, a instituição é você. Podemos falar sobre isso em outro texto, já que teve essa digressão vou pular um parágrafo.
Quando mais novo eu gostava de desenhar. Como comentei em outro texto, eu fui uma criança introvertida, gostava de criar histórias para me entreter, além de usar meus brinquedos eu gostava de ilustrar minhas histórias. Eu gosto muito de ler, especialmente se for histórias em quadrinhos, leio de tudo: Mafalda, Asterix, Serpieri, Garth Ennis... por aí vai. Passei a imitar aquilo que idolatrava com toda paixão. Tinha orgulho do que eu produzia, o artista tem carinho pela sua criação, um sentimento de ternura como sentimentos de pais por filhos, isto é, se for algo desenvolvido pelo coração, metáfora e um pouco de hipérbole, ok? Eu era um menino ingênuo, nunca esperei maldade das pessoas, por isso tive alguns problemas nessa minha emocionante jornada neste plano. Quando eu exibi as historinhas, fui motivo de chacota, sabe aquela típica cena de filme americano em que se os alunos do futebol americano tiram sarro de um menino indefeso e bonzinho? Isso mesmo. Assim fui perdendo a confiança em mim, consequentemente nos meus desenhos. Sei que se tivesse persistido nos meus estudos de desenho não teria me tornando um Alex Ross, possivelmente você que está lendo não captou essa referência, mas não se preocupe, farei uma comparação, esse ilustrador equivale a um Michelangelo dos quadrinhos.. Se não tá convencido abaixo segue uma foto dele. Como o texto versa sobre pênis, para voltarmos ao assunto, eis uma foto do artista com algo meio assim e tal na foto.

Os anos se passaram. Passei a esconder minha veia criativa, principalmente para a besteira. Até que eu conheci um dos meus grandes amigos aqui, não vou dizer quem ele é, entretanto é um dos melhores desenhistas que conheci, o cara tem um traço ímpar e tem esse dom de desenhar os pênis mais engraçados que vi. Tivemos uma juventude meio desordenada, tínhamos um passatempo meio controverso. Confesso que nosso divertimento era desenhar genitálias masculinas desproporcionais, sempre bem detalhado nas veias. Quanto ao topo do instrumento nem se fala, certamente algo fora dos limites do bom senso e quiçá da natureza. A truculência do instrumento deixava qualquer um a divagar, ponto de você contestar a existência de um deus supremo. Nossa peraltice não ficava apenas em arte por si, queríamos que o mundo conhecesse nossos talentos, então jogávamos de forma indiscriminada nossos quadros em folhas de papel A4 de cima de alguns prédios para transeuntes. Às vezes fazíamos panfletagem. Apenas imagine chegar ao seu querido automóvel e se deparar com um ser abissal em forma fálica? E aquilo foi resgatando minha confiança em desenhar.
Um dia voltei, parei, voltei, parei, agora estou num desses ciclos de estudos. Estou estudando ilustração, não pênis, tampouco venho praticando desenhar isso. Uma vez no trabalho, estava de noite, comecei a rabiscar com caneta esferográfica mesmo. Imagina um bando de marmanjo imbecil se divertindo passando o desenho como comunicação interna. E foi assim que iniciei esse meu ciclo de praticar desenho. Esse da capa do texto eu fiz pra ofender mesmo um grupo de WhatsApp.
Nesse processo de retorno ao papel e lápis, eu enviei uns desenhos para esse meu amigo desenhista, um dos remetidos foi esse da capa, ele riu muito, nessa conversa surgiu a ideia para esse texto. Ah, eu e ele somos dois idiotas para rir, conhece o desenho de uma dupla de metaleiros que passava na MTV chamado “Beavis and Butt Head”? Éramos do mesmo jeito. Ele me chama de Padre porque jura que eu rezei uma missa, eu estava muito bêbado, não nego, porém não confirmo isso. E quando retomei os estudos, enviei uns rabiscos a ele. Tive um receio, afinal é alguém que admiro. E como ele agiu? Motivou. E isso injetou ânimo em mim, prossegui. Estou longe de chegar perto dele, talvez eu nem me aproxime nesta vida, mas não ligo para isso. Não quero ser melhor do que ninguém, apenas quero me expressar, seja de forma escrita ou ilustrada. Importante que seja de coração e se divertir no processo. Recomendo como terapia. Pega um papel, lápis, risca, risca e risca. Ou escreve algo no papel. Brinca. Resgata essa criança que está aí dentro, não precisa ser como uns amigos meus de uma cidade qualquer que não é Fortaleza. Ah, esses caras fizeram dois desenhos de pênis no prédio de um deles: a clássica PICORIA e uma com três cabeças, estilo Cérbero, aquele cão guardião do submundo de Hades. Caso você esteja executando contas aritméticas, eram três cabeças e dois testículos, daí a razão de ter remetido ao mitológico canino. Ah, além do desenho auto explicativo, havia uma legenda “piroca de três cabeças”.
Ah, tem um filme que retrata bem isso, apenas lembrei desse meu amigo: Superbad. Olha, eu esqueci de falar para ele na época. Comentei recentemente, pouco antes da confecção deste texto. E se você não viu, tenta ver, é muito engraçado. A gente precisa se informar, claro, mas sempre lembrar de tirar um tempo para se divertir.
Antes do leitor achar que o texto terminará fofo, tenho que transcrever um diálogo entre nós, deixei de informar que ele trabalhou viajando o mundo. E assim ele pode mostrar dois personagens fálicos dele: PICÓRIA e BOMBITA. Segurei até esse momento de suspense apenas. Eu apenas conhecia a primeira, tinha até verso “não importa onde você vá, a PICÓRIA vai te pegar”. E essa sucuri cheia de veias é superada pela sua irmã caçula BOMBITA em altura e espessura. Algo colossal mesmo. E o desgraçado desenha tão bem, olha o que o infeliz faz no celular. BOMBITA:
“mano, eu tava no verão europeu, navio lotado, olhei pro lado, vi aquele garçom maroto das ilhas Maurício, deixando o folder dele, ele estava atendendo os clientes num balcão de um bar. Aí eu peguei a minha caneta, saquei, fui lá, e desenhei uma rolona, brother, assim cheia de veia até com uma certa profundidade. Pus umas asas nela, apliquei sombra. Coloquei dentro do folder dele e fechei. Nisso estávamos sob a égide de um carrasco do leste europeu, chato pra caralho. Justamente ele pegou o folder, abriu e se deparou com aquela rola. Deu uma treta no bar... outra vez conheci um cidadão de um país sulamericano vizinho, com diversos problemas sociais. ele mexia com todos. Passou pelo meu quarto, escreveu gay na minha porta. Fiz uma investigação, cheguei ao culpado. Peguei umas comidas que eu tinha escondido, joguei na frente do quarto dele, pus uma toalha por cima, desenhei dezenas de rolas! De todos os tipos ao redor do nome dele na porta do quarto. Fora isso, eu e meus amigos depositávamos lixo na porta dele semanalmente.”

Obrigado, meu amigo, por sempre me incentivar e resgatar essa molecagem
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