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Divagações Sobre Frustrações No Amor

Foto do escritor: Pedim GuimarãesPedim Guimarães

Atualizado: 28 de mar. de 2022


Oi, pessoal, vocês tão bem?


Acho que nunca esperei escrever continuação de textos meus (se você não leu, tá aqui), aliás, acho que nunca esperei escrever sobre sentimentos, imagina falar sobre, talvez porque na educação masculina da minha época a gente fosse treinado para não acessar essa parte sentimental, enquanto as meninas recebiam o “pode chorar”, os meninos escutaram “homem não chora”, que a gente entendeu como “não mostre seus sentimentos”, se duvidar, você, leitor masculino, homem, macho top, hétero, já tentou conversar com algum amigo seu sobre sentimentos e recebeu um “deixa de ser baitola”. Creio que assim foram criadas gerações de robôs machões, que, não raro, descontavam suas cargas emocionais na bebida, e outros tantos entorpecentes químicos, sociais ou comportamentais.


Ao que me parece estamos em transição, a meu ver avançando, com velocidade tão rápida que muitos não acompanham, ainda se prendem em paradigmas já superados, e se agarram com tanto afinco a eles, que quando alguém os contesta, mesmo de forma sutil, os retrógados logo se doem, enfurecem-se, logo citam tempos “raiz” (e sinceramente, podem brincar comigo, eu sou Nutella convicto, ou comprarei uma camisa “sou Nutella com orgulho” ou escreverei sobre essa perspectiva, aguardem). Antes quem comentasse sobre ir para terapia era tachado de doido; tomar remédio controlado então nem se fala, isso faz parte de outro assunto, vamos voltar ao título do texto, de boa?


A escola fornece conhecimentos voltados para o preparo dos alunos à vida do ensino médio, se é precário ou não, porém as escolas buscam cumprir seu mister, além disso o convívio entre os alunos proporciona um desenvolvimento dos. A formação de caráter fica sob responsabilidade da família, que busca também desempenhar seu papel, porém uma coisa ou outra falta, aí termina que a vida abrange o que não estudamos nas escolas e o que nossas famílias não nos repassam. E a vida é uma grande professora, os ensinamentos dela ficam, muitas vezes como cicatriz, no entanto sempre com uma grande lição. Por isso que há um respeito aos mais velhos, afinal se espera que eles, como viveram mais, tenham mais a transmitir aos mais jovens; infelizmente a gente tem visto que, com a idade, as pessoas podem deixar de acumular conhecimento, não se permitir a aprender.


Dentre os ensinamentos mais cruéis que a vida te ensina é sobre perder, olha, essa porrada que a gente leva apresenta tanta força que muita gente não se recupera, passa muito tempo de sua existência cambaleante rumo ao nocaute. Vislumbro basicamente dois tipos de perda: de materiais (recursos financeiros ou bens) e de pessoas. Quanto ao primeiro item, vamos deixar de lado, rende outros textos, até há quem escreva livros sobre isso, o foco dessa conversa reside no segundo. As pessoas podem ser pedidas ou partir, de duas formas: a morte (que os estudantes de misticismo denominam como transição) e por quebra de laços. Mais uma vez, nosso escolhido para prosear será o segundo item.


Nossos relacionamentos possuem muita liquidez com a modernidade, a tecnologia nos aproximou de habitantes do planeta que podem estar a milhares de quilômetros, podemos conversar em segundos, quase próximo da realidade com vídeo chamadas de alto resolução. Da mesma forma ela nos afasta de pessoas que podem estar a poucos metros de nós. E mais surpreendentemente, com toda essa acessibilidade cibernética, algumas pessoas simplesmente somem. Li um artigo que há um termo para isso: ghosting - termo usado para designar o término repentino de um relacionamento sem deixar explicações, este termo vem do inglês, derivado da palavra ghost, fantasma em português. O praticante de ghosting, some misteriosamente como se fosse um fantasma, segundo a Wikipedia. E imaginem aí, com toda a facilidade para conhecer gente, todos esses aplicativos de encontros (sociais, profissionais ou de flerte); aplica-se a mesma potência para sumir. E parece que isso afeta muita gente, talvez você aí, sim, você, tenha sofrido com isso.


Em outros casos, a perda vai ocorrendo gradualmente, considerando que uma relação envolve dois elos, um deles vai se afastando, ou repele o outro sem perceber; até que ocorre do que estar sofrendo a alienação do interesse, declara que não sente mais aquela afeição e que deseja o término. Usualmente aquele que recebe o comunicado não lida bem com isso, afinal talvez nem houvesse consciência dessa desídia toda. A partir desse momento que há a diferença entre amor e paixão. Quem ama pode lutar por reconquistar seu espaço, pode não conseguir, entretanto haverá esforço, no caso de não lograr êxito na missão, quem ama se portará como um bom competidor: cumprimentar o adversário, aceitar o resultado do embate, voltar a treinar e esperar outra oportunidade de um campeonato. Quem possui paixão, esse aí vai lutar, ouso afirmar que muitas vezes sem qualquer respeito ao adversário e a si próprio, se ganhar, torço para que esse combatente mude, porque a próxima competição pode ser trágica.


Às vezes a gente se apega muito a alguém por uma imagem que foi idealizada na nossa mente, um totem romântico perfeito de um ser mortal e falível, como eu e você. Em algumas ocasiões a gente deposita no outro cegamente a esperança de uma vida melhor, “você me faz um bem” em vez de pronunciarmos “você potencializa minha felicidade”. E o caminho para ela está dentro de si, cabe somente a sua pessoa, ler o mapa e procurar esse tesouro. Ouso dizer que não se deve busca-lo diretamente, você vai acha-lo por consequência, como por exemplo, o seu mapa deve conter orientações para você buscar sempre ser uma pessoa melhor, um ser humano em harmonia consigo e com os outros. Quem sabe durante o trajeto você encontra sua preciosidade inestimável?


Acho que você deve se questionar, ele tá me recomendando amar todo mundo? Olha, estou, ame sem limites, todo mundo, respeite essa perda de quem optou por se afastar de você. A gente nem percebe que pode magoar outros sem sentir. Se conseguir ame até quem te faz mal. Difícil para caralho, admito, tô me fudendo para assimilar isso, porém quando você ama, consequentemente você perdoa, e o perdão é um grande presente que você pode dar para si. Uma esmeralda cintilante para você, ao longo da sua jornada na Terra você pode acumular muitas joias dessa, e ficar rico, não de posses, fodam-se essas besteiras, você possuirá riqueza espiritual.


Há um filme bem bacana que aborda essa temática: “Comer, Rezar, Amar”. A sinopse dele, que eu vou colar agora: Elizabeth (Julia Roberts) descobre que sempre teve problemas nos seus relacionamentos amorosos. Um dia, ela larga tudo, marido, trabalho, amigos, decidida a viver novas experiências em lugares diferentes por um ano inteiro. E parte para a Índia, Itália e Bali, para se reencontrar numa grande viagem de autoconhecimento. E a trilha sonora final é uma canção fantástica do Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, que assina a trilha sonora de outro filme icônico, Na Natureza Selvagem. Vou deixar aqui o clipe da música e a tradução, quem sabe você se empolga para ver o filme. Em especial se você está passando por uma dor de cotovelo.


Imagem do filme

Ah, fui pesquisar para escrever, a autora do livro que inspirou o filme, bom... não darei spoilers, se você viu o filme, clica aqui.


É isso aí, galera, vão amar, um abraço, até depois




 
 
 

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